Desde que soube que estava grávida, o parto era o meu maior medo. Cada história que ouvia parecia pior do que a anterior, e cheguei ao terceiro trimestre em pânico quase diário. Evitava conversas sobre o assunto, mudava de canal quando aparecia uma cena de parto na televisão e, à noite, dava por mim a imaginar todos os piores cenários possíveis.
O medo do parto não desaparece por o ignorarmos — desaparece quando o substituímos por informação e preparação.
Enfermeira Inês Fernandes

Foi a minha médica de família que me falou pela primeira vez em tocofobia — o medo intenso do parto — e me explicou que era mais comum do que eu imaginava. Só saber que aquilo tinha um nome, e que não era "frescura" minha, tirou-me um peso enorme dos ombros. Comecei a acompanhar as consultas com outra abertura e aceitei inscrever-me num workshop de preparação para o parto.
No workshop, aprendi técnicas de respiração baseadas em evidência científica, percebi o que acontece realmente no meu corpo em cada fase do trabalho de parto e treinei posições que ajudam a gerir a dor. Mas o mais transformador foi ouvir outras grávidas partilharem os mesmos medos que eu — deixei de me sentir sozinha naquela ansiedade e passei a ter um grupo com quem falar abertamente.
Quando as contrações começaram, dei por mim a fazer exatamente o que tinha treinado: respirar fundo, contar os intervalos com calma e avisar o meu companheiro sem entrar em pânico. Chegámos ao hospital no momento certo, com a mala pronta há semanas e um plano de parto discutido com a equipa.
Vivi o nascimento da minha filha presente e confiante — o momento que durante meses foi o meu maior medo tornou-se a memória mais bonita que tenho.
Mariana S.

O parto da minha filha não foi perfeito — nada na maternidade é. Houve dor, houve momentos de dúvida e um plano que teve de ser ajustado a meio. Mas vivi-o informada, acompanhada e confiante. Se estás a sentir o mesmo medo que eu senti, o meu conselho é simples: fala sobre ele e procura apoio especializado. Faz toda a diferença.